18/12/2023

 Uma das coisas que mais gosto é criar memórias afetivas com músicas, cheiros e lugares. E o Natal é o tempo perfeito para isso.


11/12/2023

Por que escrever um diário?

Eu sempre gostei de escrever diários. Encontrava nessa atividade um grande reconforto e aconchego. Registrar as próprias lembranças me parece ser algo inerente ao coração humano. Seja por meio de textos, cartas, fotos ou vídeos, sempre queremos preservar as experiências que vivemos. Pensando nisso e em como esse hobby foi tão importante para mim ao longo dos anos, decidi compartilhar quatro razões pelas quais eu acho que você também deveria começar a escrever um diário. 

Aproveito pra indicar um post que a Rayhanne Zago publicou recentemente no seu site. Lá ela se aprofunda nesse assunto a partir dos estudos de psicologia. É muito interessante e vale a pena a leitura. Para acessá-lo, clique aqui.

Agora, vamos começar?

04/12/2023

A menos de um mês para o Natal...

O Natal está chegando. Aos poucos o Sol vai tomando conta dos nossos dias e nós, que moramos na parte tropical do mundo, já começamos a nos preparar para mais um fim de ano quente. Em meio a tudo nisso, nos perdemos naquelas imagens lindas de um natal que nunca viveremos - pelo menos, não no Brasil: neve, lareiras acesas e biscoitos de gengibre... Apesar das coisas por aqui serem diferentes, continuo apreciando o típico natal brasileiro com suas receitas cheias de uva passa e um delicioso pavê ao final na festa.

Agora que me casei, fico pensando em como é importante criar tradições natalinas em família. Ter uma cultura familiar faz o nosso coração se encher de alegria, porque cria memórias, laços e uma bela história que, para sempre, será revivida com carinho. Comecei, então, a pesquisar alguns efeites para a casa e a pensar em atividades que pudéssemos fazer. Por enquanto, não há nada tão grande e significativo. E prefiro que seja assim. Cheguei a conclusão de que o mais importante é ter o coração atento para aquilo que virá: um bebê que nasce em meio aos animais e que traz a esperança para o mundo.

Assim, as coisas ficaram desse jeito: apenas com um simples presépio, o primeiro da minha família. Dessa família que, neste ano, também vive o seu próprio e primeiro advento. Em breve nossa filha nascerá...



{...}

Finalizo esse post dizendo: vá ao Armarinhos Fernando. Lá tem muitas opções baratas e você não precisa enfrentar a loucura da 25 de março pra comprar uma simples imagem ou enfeite de Natal. Essa imagem que compramos foi apenas R$50. Achei um valor justo e muito bonitinha. Além dela, compramos também bolinhas vermelhas e lacinhos. Esses enfeites servirão para enfeitar a árvore que vamos tentar fazer usando bamboo e cipreste - pegamos esses dois itens no sítio da minha madrinha. Ainda não sei se vai dar certo, mas a ideia já me deixou entusiasmada.

27/11/2023

Por onde eu começo? - Como se preparar para a chegada do bebê

Rencentemente estava lendo os posts sobre maternidade no blog da Clayci (clique aqui para acessar) e fiquei inspirada a compartilhar um pouco da minha trajetória por aqui. Desde que descobri a gravidez, comecei a pensar por onde deveria começar. A resposta que me pareceu mais certa naquele momento foi: por mim mesma. Assim, comecei a pesquisar sobre a gestação, o parto, a amamentação e os primeiros cuidados com o bebê, já que todos esses assuntos me envolveriam pessoalmente quando chegasse a hora de vivê-los, e ninguém, além de mim (e do meu marido), poderia se responsabilizar por eles.

Esse estudo foi progredindo aos poucos, sem pressa, e agora, já quase na reta final para o nascimento da minha filha, ainda sinto que não sei nada. É pra rir, né não? Mas é assim mesmo, e isso foi uma das coisas mais importantes que eu aprendi durante esse processo: é preciso que exista uma dose de incerteza e despreparo para que haja amadurecimento.

Por isso, no blogpost de hoje quero partilhar com vocês as principais referências que usei e continuo usando para me preparar para a chegada da Filomena, minha bebê. Aproveito para dizer que meu objetivo não é dizer o que devem ou não fazer, mas dividir o que foi positivo na minha experiência na esperança de que você encontre e trilhe seu próprio caminho.

20/11/2023

Resenha do filme O Teto (1956), dirigido por Vittorio De Sica.

Gosto muito desses filmes mais simples. Eles me fazem perceber como a forma de narrar um acontecimento é capaz de transformar algo banal e ordinário numa verdadeira história. Acredito que isso seja válido até pra nossa vida, porque em algumas situações a única solução que vamos ter para resolver um problema vai ser enxergá-lo sob uma nova perspectiva. Pensando nisso, decidi partilhar com vocês minhas impressões sobre um filme que assisti recentemente na plataforma do Mubi. Ele se chama O Teto, foi lançado em 1956 e foi dirigido por Vittorio De Sica.

10/11/2023

Um novo jeito de viver: conheça o The Cottage Fairy, de Paola Merrill.

Às vezes a vida nos faz convites que nem sabíamos que ansiávamos por viver. Recentemente, isso aconteceu comigo. E o que, à princípio, me pareceu assustador, logo se revelou ser exatamente aquilo de que eu necessitava: uma nova forma de viver. Há quem o chame de  slow living. Eu prefiro deixá-lo sem nome. Vejo-o simplesmente como o processo de abrir o coração para os mistérios dessa simples e pequena vida, aceitando o silêncio, a solidão e a paz de espírito.

No blogpost de hoje quero compartilhar com vocês um canal do YouTube que sintetiza isso muito bem. Ele se chama The Cottage Fairy e é produzido pela Paola. Ela mora numa região rural dos EUA e seus vídeos são sobre o seu cotidiano, pensamentos e artes. Acompanhar o seu canal também satisfaz um pouco o meu desejo de conviver mais com a natureza, além de ser um incentivo para continuar buscando a beleza que existe no meu próprio cotidiano e em São Paulo, essa cidade em que as flores rasgam o concreto.

Tiro sempre um pequeno momento da semana para assistir aos vídeos com calma, refletir sobre aquilo que ela diz e avaliar minha própria vida. É quase como um momento sagrado. E isso tem me feito muito bem. Acreditando que vá ser de grande proveito pra você, faço este convite: o que acha de tirar um tempinho para estar em silêncio, para viver com mais tranquilidade e aceitar as perguntas que ainda não tem resposta? Sempre estamos no momento perfeito para começar coisas novas, mesmo que ainda não tenha chegado o tempo das resoluções de Ano Novo.

Deixo abaixo alguns dos meus vídeos favoritos para que possam conhecer o trabalho da Paola e, quem sabe, se arriscar nesse novo modo de viver.



12/09/2023

Uma dose de silêncio.

Escrever sempre foi um dos meus principais refúgios. Recordo-me com carinho das primeiras estórias criadas, do primeiro "manuscrito" impresso em letras com fonte tamanho 50, daqueles poemas apaixonados, da grande ilusão de já ter me tornado uma excelente escritora no auge dos meus quinze anos. Cada uma dessas memórias, apesar de suas criancices e bobeiras, me ajudam a me reencontrar. E, recentemente, é o que mais tem acontecido.

Hoje posso dizer que minha vida descansou. Muitos daqueles marcos sociais se cumpriram: terminar a faculdade, casar, engravidar do primeiro filho. Mas fosse a vida só isso, eu não sentiria isso que tenho sentido aqui dentro. Ouso dizer que seja um mistério, daqueles que encucou sábios, santos e profetas. O mistério de viver.

Já tinha me confrotado com essas coisas antes, mas nunca do jeito como tem sido agora. Há mais silêncio e é difícil intuir os próximos passos. Porque agora o que a vida me pede é um verdadeiro descanso, um descanso naquilo que sou. Alcançar aqueles marcos sociais deve ter lá sua importância, mas arrisco dizer que é quase mínima. Há coisas muito melhores aqui dentro do que lá fora.

Por isso, esse é um texto para mim mesma e pra todo mundo que sofre da ansiedade crônica dos nossos tempos. Viver em paz, tranquilamente e com a monotonia própria ao Universo que, todos os dias, pede para o Sol nascer, é um presente enorme que nos foi dado. É só aí que se tem tempo para olhar com calma, no fundo dos olhos.

Há muita beleza e alegria em simplesmente ser.

09/09/2022

"O caminho para casa", um filme chinês para conquistar seu coração.


Quem me conhece sabe que um dos meus hobbies favoritos é assistir filmes asiáticos! Gosto muito de perceber as diferenças culturais por meio das narrativas cinematográficas, porque isso me faz compreender que existem formas diferentes de compreender o mundo.

No blogpost de hoje vou partilhar uma breve resenha a respeito de um filme chinês chamado O caminho para casa de 1999. Eu o assisti no streaming da Brasil Paralelo na época do Natal quando eles liberaram o acesso gratuito por dois dias, mas também é possível encontrar em outras plataformas digitais.

Vamos lá?

08/09/2022

Pequena crônica do cotidiano.

O temido estágio em colégio público...

Sem remuneração, sem auxílio transporte, 60 horas. Um verdadeiro malabares para conciliar a pequena vida adulta que começa a despostonar. E, é claro, a minha bendita cara de 15 anos: "Os alunos pensarão que sou uma aluna". Sapato alto, maquiagem, olhar sério, sem voz fina, sem risadinhas, postura. "É, não deu certo", rio enquanto me contemplo no espelho.

Viver a alegria de ver a expectativa no olhar de cada um daqueles jovens. Recordar com frequência a fala de meu pai espiritual: "Em todo jovem mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem e a primeira obrigação do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração, e tirar bom proveito". E, apesar das aparências que insistem em impregar o coração de desesperança, escolho a confiança. Minha inocência juvenil me espanta, e escutando a alguns relatos percebo como a vida pode, pouco a pouco, ir nos roubando essa capacidade de saborear a doçura mesmo no amargor.

Fico me perguntando o que estaria eu fazendo ali e porque parecia haver uma força que me atraia a permanecer ali. Ficar. É que a vida pede por um terreno onde possa se fixar e dar fruto: trinta, sessenta, cem.

05/07/2022

Impressões de leitura – A vida de um idiota, de Ryūnosuke Akutagawa.

Uma fotografia do autor.

Desde o início da minha adolescência, eu sempre gostei de escrever diários. Demorava-me muito tempo relatando os acontecimentos da semana, aquilo que havia mudado desde o meu último registro e minhas impressões pessoais sobre a vida. O que mais gostava era de, passado um bom tempo, reler aquelas memórias que, agora, tinham sabor de saudade. Assim, a cada nova etapa de minha vida, eu conseguia, por meio desses cadernos, compreender a completude dos anos que se passaram e depreender alguns aprendizados importantes.

Portanto, quando comecei a leitura do relato autobiográfico de Akutagawa intitulado A vida de um idiota acabei me encontrando no meio daquela história tão trágica. Apesar do narrador ser em terceira pessoa, ele nos transmite com tanta precisão a subjetividade do protagonista que parece que estamos ao seu lado: vendo-o caminhar progressivamente em direção à desesperança, à morte. Identifiquei-me com o tom intimista da narrativa, porque além do efeito citado anteriormente, em alguns momentos me sentia coparticipante daquela história. Assim, pouco a pouco, a cada palavra lida, meu coração foi sendo tomado por um amargor triste.

Encontrei pequenas gotas de consolo nas belíssimas descrições feitas sobre o espaço ficcional, porém a que mais me alcançou foi aquela em que ele descreve a luz lunar iluminando o rosto da mulher amada: “O rosto dela parecia, como sempre, banhado pela claridade da lua.” (pág. 192). Nesse e em outros momentos vislumbrei lampejos de esperança, como no seguinte excerto: “Mas apenas aquelas faíscas violetas – aquelas faíscas incontroláveis que se fundiam no ar –, ele queria agarrá-las com as mãos, mesmo que tivesse de pagar com a vida.” (pág. 182).  Criei certa empatia por esse sujeito taciturno e um desejo de comunicá-lo as belezas mais profundas que, ao que parece, lhe passavam despercebidas.

Assim, acabei por encontrar na fala de uma colegial uma luz radiante, que se assemelhava a de um cometa – forte, mas fugaz: “Mas a sede de escrever não é também a sede de viver?” (pág. 195).  Dita uma única vez, essa verdade não é em nenhum momento formalmente retomada pelo narrador, mas permeia toda a existência do protagonista. Apesar de seus sofrimentos e de seu trágico final, seu desejo pela vida se materializa na eternidade das palavras. A prolongação do próprio sujeito em seus escritos também está presente na convivência quase pessoal que ele nutria em relação aos autores que lia.

Portanto, ao término dessa leitura pude contemplar o ciclo de uma vida, descobrindo pequenos pontos de luz e abismos de escuridão. Vi que, assim como acontece quando finalizo a leitura de um diário antigo, a força da forma poética é capaz de transformar a dor em beleza e de dar a uma alma inquieta um pouco de sossego e paz, porque ela estabiliza nossas impressões subjetivas e ajuda-nos a enxergar com clareza aquilo que nos circunda. Assim, apesar de lamentar profundamente aquilo que lhe aconteceu, agradeço a gentileza que este homem teve de nos deixar registrado sua intimidade mais profunda e se tornar mais uma tímida luz a clarear a noite escura que vivemos: “Parando ao pé da árvore, ele ergueu os olhos, por entre os galhos, para o alto céu. Lá, bem sobre sua cabeça, brilhava uma estrela.” (pág. 184).

29/03/2022

Conheça meus podcasts favoritos.

Eu sou simplesmente viciada em podcasts e gosto de ouvi-los enquanto faço a limpeza da casa ou estou no transporte público. Por meio deles pude conhecer histórias de pessoas incríveis, além de extrair diversos aprendizados que pude aplicar em minha própria vida. No artigo de hoje gostaria de compartilhar com vocês dois podcasts voltados especificamente para mulheres. O primeiro se chama Abiding Togheter e o segundo O Privilégio de Ser Mulher.

03/03/2022

Sobre a contemplação amorosa.


Diante de tudo que virá, eu prefiro o silêncio. Há na solidão um profundo descanso. Reconhecemo-nos a sós com Aquele que desde a eternidade não nos quis assim.

Tu és osso dos meus ossos, carne da minha carne.

O céu revoltoso tenta esconder de nós o sol que já despontou.

Vislumbro tua sombra que se aproxima a passos largos: tu vens com o desejo de ficar para sempre. E eu, em profunda reverência a tudo que és, te contemplo.

Tua existência rasga o véu da noite.

Pequenino e recurvado, traz dentro do peito um coração: é aí que está o teu tesouro, o meu tesouro.

O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo.

Te comprarei com o preço de minha própria vida.

E eles serão uma só carne.

17/02/2022

O que podemos aprender com a cultura oriental? - Indicação de dorama chinês.

Minha porta de entrada para a cultura oriental foi o estudo da língua japonesa. A partir disso, comecei a me interessar por outros países orientais, como China e Coréia. E, por meio de uma plataforma de streaming chamada Rakuten Viki, comecei a consumir produções cinematográficas orientais e me apaixonei.

No início, assistia apenas doramas japoneses, pois meu principal interesse naquele momento era aprimorar minhas habilidades com o idioma. Mas, depois de um tempo, comecei a assistir um dorama coreano chamado Eu ouço a sua voz e, mais recentemente, me aventurei nos doramas chineses: O General e eu e Go Go Squid.

O que mais me encantou nas séries chinesas foi poder encontrar em cada uma delas uma preocupação com a formação do telespectador; através de histórias ficcionais valores importantes para o amadurecimento do ser humano são transmitidos. Dessa forma, essas produções reúnem em si dois atributos que julgo indispensáveis: entretenimento e profundidade. As histórias são complexas como a própria vida humana, com suas alegrias, tristezas, dores e vitórias. Mas, também são cheias de diversão e oferecem uma ótima forma de termos um momento de lazer.

No artigo de hoje vou compartilhar com vocês minhas impressões sobre esse último dorama chinês que citei lá em cima. Ele está na minha lista de favoritos e é uma ótima opção para quem deseja começar a conhecer a cultura oriental. Vamos lá?

11/02/2022

Sobre a própria existência.

Apresentação de A hora e vez de Augusto Matraga em Pindamonhangaba, 2019.

Dos tempos do Ensino Médio ficam as saudades... A vida tinha um gosto doce demais que chegava a ser amargo. A vida toda à beira de um precipício chamado FUVEST. Aceitar a nossa própria história é aceitar os planos de Deus, só Ele conhece o íntimo dos corações e porque permitiu que uma jovenzinha ganhasse o papel do Joãozinho Bem-Bem numa montagem teatral do Guimarães da Rosa. Demoro-me contemplando tudo aquilo sou e me assusto. Não entendo as mãos desse artesão que, tão delicadamente, tece minha própria mortalha.

A vida é breve como um suspiro. É preciso recordar-se sempre disso e amparar cada amanhecer nessa verdade. Contemplo com certa suspeita o céu azul das seis da manhã. Onde me esperas, Senhor? Sento-me diante de um computador e por cinco horas trabalho. Onde me esperas, Senhor? Em cada esquina da vida Ele deseja me encontrar. Onde me esperas, Senhor?

Nas memórias não há silêncio. Há um turbilhão de vozes que se confundem, que exigem atenção, que desejam reconquistar a força que antes tinham. Calo-me. Diante de nós mesmos é preciso respeito e reverência. O Senhor nos criou com suas próprias mãos. Sentada, diante do crucifixo, fixo meu olhar em mim mesma: preciso estar atenta a minha existência que é tão fugidia. O Cristo amorosamente me contempla. Senhor, onde estás?

Quando comecei a escrever esse texto não pensei que ele sairia tão facilmente do meu peito. É que o tenho buscado em muitos lugares, mas não o encontro. Esconderam meu Amado de mim. Madalena, em seu desespero, não reconhece o próprio Jesus Ressuscitado. Acaso serei eu? Tu o dizes. Maria. Jesus.

Dos tempos do Ensino Médio até hoje trago dentro de mim o mesmo coração que facilmente parece se perder. Onde me esperas, Senhor?

Do teu lado, filha, bem perto de ti. 

É aqui que Ele está.

04/02/2022

Dicas para uma vida de estudo que dá certo.


Agora que estamos imersos nesse tempo de incertezas, é comum nos sentirmos desmotivados. Estipular e seguir uma rotina é essencial para criarmos em nós uma força capaz de se opor a todos esses desânimos. Mas antes de pôr no papel todas as suas obrigações ou assuntos que deseja estudar, comece determinando que horas irá acordar e que horas irá dormir. Isso é muito importante para entendermos que os dias são cíclicos, seguem sempre o mesmo curso! Compreendendo e absorvendo essa realidade, conseguimos perceber em quais momentos do dia temos um rendimento maior..

Tudo isso é autoconhecimento e é essencial a longo prazo! Se desde já percebemos que de manhã temos um bom rendimento, enquanto que à noite não entendemos nem uma lista de supermercado, passamos a valorizar esse momento matinal e tomaremos todas as medidas necessárias (dormir na hora certa, não ir se deitar tarde) para não neglicenciá-lo. Feito isso, podemos começar a destrinchar atitudes que a longo ou curto prazo criarão em você mais disposição para o estudo.

01/02/2022

Sobre o olhar.

Gosto muito dessa foto. Não porque ela seja uma ótima fotografia para a posteridade: “Olha só como você era jovem!”. Ou porque traga consigo lembranças de dias bem vividos. Ao vê-la encontro meu próprio olhar e, por isso, me alegro. Porém, a foto oculta sua real verdade: não são os meus olhos que estão aí, mas sim um olhar amoroso que, quando posto sobre eles, os ilumina. E somente isso é capaz de nos curar.

A princípio, olhar nos olhos de alguém exige certa coragem interior porque precisamos aprender a suportar o íntimo incômodo que vem dessa ação. Porém, se somos perseverantes, logo nossa visão descansa na contemplação do outro e, a partir disso, somos libertos: libertos dos pensamentos que, como um cavalo louco, correm para todos os lados. Faz-se silêncio. Encontramo-nos.

22/12/2020

Os olhos.

Com teus gestos de menino,

Gracejos de homem esquecido,

E uma voz muito bem colocada,

Alcanças o íntimo de minha alma.

 

O véu é branco, velho e tão fino.

Rasga fácil e revela meu olhar dolorido.

Não resisto, deixo-me ser encontrada.

Permanece em segredo aquilo que falta.

 

– Repousa teu olhar em mim

E descansa do peso de teus dias.

Na minha ausência há algo que fica,

E se aninha ao todo de teu ser.

 

Em cada beco, um palavrório sem fim

Que rouba e assalta todos os dias.

Só o silêncio me prepara e fortifica

Para o dia de te ver – o dia de morrer.

20/09/2020

Retirante trovador.

Quem põe em versos essa voz?

Incenso sem fogo, sem oração.

Ecoa uma voz aguda.

 

O fio da vida que desfia em nós

Enlaça o medo, aparta assombração.

A voz é muda.

 

O cego é o guia.

Místico cantador que pisa em pedra.

Sem trajeto, eterno andarilho.

 

– Tua voz minha estrela-guia!

No sertão, os latidos da cadela.

O Sol é o guia. Ele, o filho.

08/08/2020

Rotina de estudos - língua japonesa.


Olá! Hoje vim mostrar como estão os meus estudos da língua japonesa durante a quarentena. Estou conseguindo dedicar mais tempo ao japonês e fazer, ao longo do dia, atividades que desenvolvem habilidades específicas. Enquanto estava tendo aula na faculdade, meus horários eram muito corridos e a maior parte do meu dia era dentro de algum transporte público. Nesses momentos eu aproveitava para escutar algum podcast em japonês, mas é claro que isso não tem o mesmo valor de passar uma hora lendo textos, aprendendo palavras novas e praticando as estruturas gramaticais.

17/07/2020

Leitura: Os Irmãos Karamázov, de Fiódor Dostoiévski.


Recentemente terminei de ler Os Irmãos Karamázov e fiquei pensando se escreveria alguma coisa sobre essa leitura aqui. É um livro gigantesco - tanto em tamanho como em profundidade, e meus comentários não poderiam ser nada além de impressões totalmente pessoais. Consegui vislumbrar alguns abismos e esconderijos onde tesouros preciosos poderiam estar escondidos, mas não passou muito disso. Contudo, ser capaz de distingui-los no meio de palavras que se seguiam ad infinitum foi muito encorajador! "Bom, pelo menos consigo ver que há alguma coisa aqui", foi o que eu pensei.

Esse tipo de livro toca profundamente em algo que há muito tempo foi esquecido, deixado de lado, embalado junto com o lixo da cozinha: o mistério. Literatura não é texto jornalístico, não é informação facilmente digerível, feita para ser lida numa sentada, num passar de olhos, sem nenhum respeito a quem escreveu. É preciso atenção, cuidado e abertura! Nossos corações se endureceram porque queremos sempre ter as melhores ideias, tomar os melhores partidos, ter uma vida que não passa pela fase do não-ser, ela tem que acontecer agora e pra já e depressa. E a paciência? E o silêncio frente ao desconhecido? Não temos tempo para isso... Não estou fora desse grupo, aliás, por saber dessas coisas é ainda mais doloroso ver como isso verdadeiramente está presente em nós. É triste.

Escrevo tudo isso por causa de uma passagem no livro que me encantou muito: a conversa de Aliocha com Kólia. Vejo que nós, ou pelo menos uma boa parte de nós, somos como o Kólia. Sedentos por uma vida própria e ansiosos para marcar a história do mundo, devoramos as primeiras e mais absurdas propostas que nos apresentam. O cuidado excessivo da mãe talvez tenha potencializado isso, fazendo com que o menino tivesse medo de não conseguir dar uma resposta à altura e acabar como  um filhinho da mamãe para sempre, com ideias retrógradas e extremamente incoerentes com o modelo de jovem revolucionário. Em contraste, temos Aliocha: o cara que foi para o mosteiro. Bom, ele realmente está fora do círculo de influências do grande Kólia. Mas o que livro nos conta, colocando na boca do próprio personagem, é a profunda curiosidade e admiração de Kólia por Aliocha.

É muito bonito contemplar como o garoto começa a desabrochar diante dessa figura intrigante. Aliocha se abaixa e consola, toma o menino pela mão e o reposiciona no caminho correto. Ele abre um espaço no peito para que lá o pequeno se encontre, fazendo com que se sinta igual à ele. E de fato ele é, ou melhor, pode vir a ser. Porém, Kólia sabe que está diante de alguém extremamente superior a ele. Arrisco dizer que, talvez, a força desse encontro venha da experiência de enxergar como a grandeza pode se fazer pequena e reconhecível até para olhos imaturos e prepotentes. E graças à este livro, também puder viver esse encontro e me questionar se a vida já tinha me oferecido essa oportunidade antes.

E sim, a vida já tinha me oferecido isso antes e, pasme, ela me oferece todos os dias. O que quero com este texto não é fazer uma resenha, crítica ou coisa do tipo. E mesmo se quisesse, não poderia, já que não tenho as ferramentas para isso. Simplesmente espero que ele sirva como um afastador no peito de cada um. Essa passagem do livro me colocou diante de algo que não consigo dizer, a não ser que transcreva aqui todo o trecho. Mas suspeito que, mesmo se fizesse isso, ainda assim seria muito difícil explicar as causas do meu encanto por um raciocínio lógico e causal. Sendo assim, só tive uma opção: abraçar este mistério e conviver com ele dia e noite, até que chegue a primavera e ele desabroche.