09/09/2022

"O caminho para casa", um filme chinês para conquistar seu coração.


Quem me conhece sabe que um dos meus hobbies favoritos é assistir filmes asiáticos! Gosto muito de perceber as diferenças culturais por meio das narrativas cinematográficas, porque isso me faz compreender que existem formas diferentes de compreender o mundo.

No blogpost de hoje vou partilhar uma breve resenha a respeito de um filme chinês chamado O caminho para casa de 1999. Eu o assisti no streaming da Brasil Paralelo na época do Natal quando eles liberaram o acesso gratuito por dois dias, mas também é possível encontrar em outras plataformas digitais.

Vamos lá?

08/09/2022

Pequena crônica do cotidiano.

O temido estágio em colégio público...

Sem remuneração, sem auxílio transporte, 60 horas. Um verdadeiro malabares para conciliar a pequena vida adulta que começa a despostonar. E, é claro, a minha bendita cara de 15 anos: "Os alunos pensarão que sou uma aluna". Sapato alto, maquiagem, olhar sério, sem voz fina, sem risadinhas, postura. "É, não deu certo", rio enquanto me contemplo no espelho.

Viver a alegria de ver a expectativa no olhar de cada um daqueles jovens. Recordar com frequência a fala de meu pai espiritual: "Em todo jovem mesmo no mais infeliz, há um ponto acessível ao bem e a primeira obrigação do educador é buscar esse ponto, essa corda sensível do coração, e tirar bom proveito". E, apesar das aparências que insistem em impregar o coração de desesperança, escolho a confiança. Minha inocência juvenil me espanta, e escutando a alguns relatos percebo como a vida pode, pouco a pouco, ir nos roubando essa capacidade de saborear a doçura mesmo no amargor.

Fico me perguntando o que estaria eu fazendo ali e porque parecia haver uma força que me atraia a permanecer ali. Ficar. É que a vida pede por um terreno onde possa se fixar e dar fruto: trinta, sessenta, cem.

05/07/2022

Impressões de leitura – A vida de um idiota, de Ryūnosuke Akutagawa.

Uma fotografia do autor.

Desde o início da minha adolescência, eu sempre gostei de escrever diários. Demorava-me muito tempo relatando os acontecimentos da semana, aquilo que havia mudado desde o meu último registro e minhas impressões pessoais sobre a vida. O que mais gostava era de, passado um bom tempo, reler aquelas memórias que, agora, tinham sabor de saudade. Assim, a cada nova etapa de minha vida, eu conseguia, por meio desses cadernos, compreender a completude dos anos que se passaram e depreender alguns aprendizados importantes.

Portanto, quando comecei a leitura do relato autobiográfico de Akutagawa intitulado A vida de um idiota acabei me encontrando no meio daquela história tão trágica. Apesar do narrador ser em terceira pessoa, ele nos transmite com tanta precisão a subjetividade do protagonista que parece que estamos ao seu lado: vendo-o caminhar progressivamente em direção à desesperança, à morte. Identifiquei-me com o tom intimista da narrativa, porque além do efeito citado anteriormente, em alguns momentos me sentia coparticipante daquela história. Assim, pouco a pouco, a cada palavra lida, meu coração foi sendo tomado por um amargor triste.

Encontrei pequenas gotas de consolo nas belíssimas descrições feitas sobre o espaço ficcional, porém a que mais me alcançou foi aquela em que ele descreve a luz lunar iluminando o rosto da mulher amada: “O rosto dela parecia, como sempre, banhado pela claridade da lua.” (pág. 192). Nesse e em outros momentos vislumbrei lampejos de esperança, como no seguinte excerto: “Mas apenas aquelas faíscas violetas – aquelas faíscas incontroláveis que se fundiam no ar –, ele queria agarrá-las com as mãos, mesmo que tivesse de pagar com a vida.” (pág. 182).  Criei certa empatia por esse sujeito taciturno e um desejo de comunicá-lo as belezas mais profundas que, ao que parece, lhe passavam despercebidas.

Assim, acabei por encontrar na fala de uma colegial uma luz radiante, que se assemelhava a de um cometa – forte, mas fugaz: “Mas a sede de escrever não é também a sede de viver?” (pág. 195).  Dita uma única vez, essa verdade não é em nenhum momento formalmente retomada pelo narrador, mas permeia toda a existência do protagonista. Apesar de seus sofrimentos e de seu trágico final, seu desejo pela vida se materializa na eternidade das palavras. A prolongação do próprio sujeito em seus escritos também está presente na convivência quase pessoal que ele nutria em relação aos autores que lia.

Portanto, ao término dessa leitura pude contemplar o ciclo de uma vida, descobrindo pequenos pontos de luz e abismos de escuridão. Vi que, assim como acontece quando finalizo a leitura de um diário antigo, a força da forma poética é capaz de transformar a dor em beleza e de dar a uma alma inquieta um pouco de sossego e paz, porque ela estabiliza nossas impressões subjetivas e ajuda-nos a enxergar com clareza aquilo que nos circunda. Assim, apesar de lamentar profundamente aquilo que lhe aconteceu, agradeço a gentileza que este homem teve de nos deixar registrado sua intimidade mais profunda e se tornar mais uma tímida luz a clarear a noite escura que vivemos: “Parando ao pé da árvore, ele ergueu os olhos, por entre os galhos, para o alto céu. Lá, bem sobre sua cabeça, brilhava uma estrela.” (pág. 184).

29/03/2022

Conheça meus podcasts favoritos.

Eu sou simplesmente viciada em podcasts e gosto de ouvi-los enquanto faço a limpeza da casa ou estou no transporte público. Por meio deles pude conhecer histórias de pessoas incríveis, além de extrair diversos aprendizados que pude aplicar em minha própria vida. No artigo de hoje gostaria de compartilhar com vocês dois podcasts voltados especificamente para mulheres. O primeiro se chama Abiding Togheter e o segundo O Privilégio de Ser Mulher.

03/03/2022

Sobre a contemplação amorosa.


Diante de tudo que virá, eu prefiro o silêncio. Há na solidão um profundo descanso. Reconhecemo-nos a sós com Aquele que desde a eternidade não nos quis assim.

Tu és osso dos meus ossos, carne da minha carne.

O céu revoltoso tenta esconder de nós o sol que já despontou.

Vislumbro tua sombra que se aproxima a passos largos: tu vens com o desejo de ficar para sempre. E eu, em profunda reverência a tudo que és, te contemplo.

Tua existência rasga o véu da noite.

Pequenino e recurvado, traz dentro do peito um coração: é aí que está o teu tesouro, o meu tesouro.

O Reino dos Céus é como um tesouro escondido no campo. Alguém o encontra, deixa-o lá bem escondido e, cheio de alegria, vai vender todos os seus bens e compra aquele campo.

Te comprarei com o preço de minha própria vida.

E eles serão uma só carne.

17/02/2022

O que podemos aprender com a cultura oriental? - Indicação de dorama chinês.

Minha porta de entrada para a cultura oriental foi o estudo da língua japonesa. A partir disso, comecei a me interessar por outros países orientais, como China e Coréia. E, por meio de uma plataforma de streaming chamada Rakuten Viki, comecei a consumir produções cinematográficas orientais e me apaixonei.

No início, assistia apenas doramas japoneses, pois meu principal interesse naquele momento era aprimorar minhas habilidades com o idioma. Mas, depois de um tempo, comecei a assistir um dorama coreano chamado Eu ouço a sua voz e, mais recentemente, me aventurei nos doramas chineses: O General e eu e Go Go Squid.

O que mais me encantou nas séries chinesas foi poder encontrar em cada uma delas uma preocupação com a formação do telespectador; através de histórias ficcionais valores importantes para o amadurecimento do ser humano são transmitidos. Dessa forma, essas produções reúnem em si dois atributos que julgo indispensáveis: entretenimento e profundidade. As histórias são complexas como a própria vida humana, com suas alegrias, tristezas, dores e vitórias. Mas, também são cheias de diversão e oferecem uma ótima forma de termos um momento de lazer.

No artigo de hoje vou compartilhar com vocês minhas impressões sobre esse último dorama chinês que citei lá em cima. Ele está na minha lista de favoritos e é uma ótima opção para quem deseja começar a conhecer a cultura oriental. Vamos lá?

11/02/2022

Sobre a própria existência.

Apresentação de A hora e vez de Augusto Matraga em Pindamonhangaba, 2019.

Dos tempos do Ensino Médio ficam as saudades... A vida tinha um gosto doce demais que chegava a ser amargo. A vida toda à beira de um precipício chamado FUVEST. Aceitar a nossa própria história é aceitar os planos de Deus, só Ele conhece o íntimo dos corações e porque permitiu que uma jovenzinha ganhasse o papel do Joãozinho Bem-Bem numa montagem teatral do Guimarães da Rosa. Demoro-me contemplando tudo aquilo sou e me assusto. Não entendo as mãos desse artesão que, tão delicadamente, tece minha própria mortalha.

A vida é breve como um suspiro. É preciso recordar-se sempre disso e amparar cada amanhecer nessa verdade. Contemplo com certa suspeita o céu azul das seis da manhã. Onde me esperas, Senhor? Sento-me diante de um computador e por cinco horas trabalho. Onde me esperas, Senhor? Em cada esquina da vida Ele deseja me encontrar. Onde me esperas, Senhor?

Nas memórias não há silêncio. Há um turbilhão de vozes que se confundem, que exigem atenção, que desejam reconquistar a força que antes tinham. Calo-me. Diante de nós mesmos é preciso respeito e reverência. O Senhor nos criou com suas próprias mãos. Sentada, diante do crucifixo, fixo meu olhar em mim mesma: preciso estar atenta a minha existência que é tão fugidia. O Cristo amorosamente me contempla. Senhor, onde estás?

Quando comecei a escrever esse texto não pensei que ele sairia tão facilmente do meu peito. É que o tenho buscado em muitos lugares, mas não o encontro. Esconderam meu Amado de mim. Madalena, em seu desespero, não reconhece o próprio Jesus Ressuscitado. Acaso serei eu? Tu o dizes. Maria. Jesus.

Dos tempos do Ensino Médio até hoje trago dentro de mim o mesmo coração que facilmente parece se perder. Onde me esperas, Senhor?

Do teu lado, filha, bem perto de ti. 

É aqui que Ele está.