26/07/2018

"Todos os santos foram mártires ou pela espada ou pela paciência." - São Gregório Magno.

Ícone da Crucifixão de Jesus Cristo

O mundo nos conduze ao individualismo e nos transforma em seres extremamente sensíveis e suscetíveis ao estresse. Temos essas grandes metas e planos para nos tornarmos o símbolo perfeito da plenitude e excelência, mas facilmente caímos na terrível mania de reclamar, murmurar e se incomodar com as contrariedades da vida. Os grandes mártires muitas vezes mobilizam os nossos corações, e pensamos que talvez fosse bem mais simples com um singelo "sim" tornar-se um santo cheio de glória na eternidade e admirado por milhões de pessoas. Contudo, além de não ser verdade, nem todos são chamados à essa excelsa missão, portanto devemos viver o nosso martírio no cotidiano.

São Francisco de Sales, por exemplo, que é conhecido como o santo da amabilidade, durante toda a sua vida lutou contra a ira e conta-se que após a sua morte, encontraram a sua mesa de trabalho toda arranhada por baixo, já que Francisco preferia arranhar a mesa a responder sem amor e mansidão as pessoas. Exemplos como esse nos mostram de que forma a vontade humana e a Graça de Deus trabalham em nosso coração e redefinem a nossa caminhada.

Essa belíssima frase de São Gregório Magno apresentada no título, tocou profundamente o meu coração impaciente e fez com que me lembrasse da tremenda paciência que Deus teve comigo antes da minha conversão e que tem até hoje. Vendo tremendo amor não é possível que não queiramos retribuí-lo, portanto, apesar das dificuldades que surgirão é necessário ter como norte este Amor, permitindo que somente ele nos oriente e nos sustente nos momentos de fraqueza. E é só compreendendo a paciência perfeita do Bom Deus que podemos começar a trabalhar a nossa. Iniciemos, então, essa caminhada voltando os nossos olhos para o Cordeiro de Deus que pacientemente padeceu na cruz.

As primeiras pessoas que merecem a nossa paciência somos nós mesmos, por que de que forma poderemos dar aos outros algo que não temos em nosso coração? Ser paciente com os nossos erros e falhas nos conduzem também a humildade e ao autoconhecimento, pois assim entendemos que somente Deus é perfeito. Depois disso, devemos ser pacientes com aqueles que amamos, conhecemos e com aqueles que não conhecemos. E assim, quando alguma contrariedade surgir, estaremos prontos para sermos calmos e mansos de coração.

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