18/07/2018

As amizades que nos conduzem ao Céu.

"Faz-nos tanto bem, quando sofremos, ter corações amigos, cujo eco responde a nossa dor". - Santa Teresinha

Não há ninguém nesse mundo que consiga viver plenamente só, sempre precisamos de pessoas que nos auxiliem nas dificuldades, partilhem conosco as alegrias da vida e nos ajudem a evoluir. Logo, da mesma forma que precisamos de amigos aqui, também precisamos de amigos que já estejam no Céu e nos ajudem a chegar lá. É evidente que Jesus Cristo e a Virgem Maria devem ser os nossos primeiros amigos, contudo, sendo o primeiro deles o próprio Deus e a segunda uma mulher que foi concebida sem o pecado original; no começo é difícil estabelecer uma relação de amizade com ambos, por isso nos aproximamos dos santos, que foram homens e mulheres iguais a nós em tudo (até mesmo no pecado).

Se quisermos encontrar este amigo devemos estar atentos aos sinais sutis do Bom Deus. Além disso, devemos ler sobre a vida dos santos, pois só assim encontraremos entre tantos homens e mulheres, um que se assemelhe conosco e que talvez tenha vivenciado situações semelhantes às nossas. Contudo, isso não é uma regra geral, porque às vezes a Providência trata de colocar em nossa vida um santo que nem por um instante estava na nossa listinha de possíveis amizades. E foi exatamente isso que aconteceu comigo. Quando comecei a devorar diversos livros sobre a vida dos santos, me encantava com todos, porém nenhum deles parecia tocar o meu coração intimamente, como um amigo verdadeiro faz. Mas logo encontrei meu primeiro amigo: São Maxilimiano Kolbe. O que mais me encantou neste homem, além do martírio heroico que enfrentou, foi o fato de ter criado um jornal em honra a Imaculada Conceição e ter fundado no Japão uma comunidade que também era dedicada a Ela, ou seja, encontrei dois pontos em comum com ele: o amor pela escrita e pelo Japão. Contudo, enquanto continuava conhecendo a vida de outros santos acabei me deparando com a pequena flor do Carmelo: Santa Teresinha do Menino Jesus e da Sagrada Face. A princípio eu não entendia muito bem a fama que ela possuía pelo mundo todo, já que aos meus olhos (ignorantes),Teresinha não tinha nada demais, era somente uma santa bonitinha que disse coisinhas bonitinhas. Fim. Acabei decidindo assistir um filme sobre ela, e a situação ficou ainda pior. A atriz que a interpretou a transformou em uma menina mimada, chatinha e que dizia belíssimas declarações de amor que não vinham verdadeiramente do seu coração. Fico pensando o que Santa Teresinha sentiu quando viu que, mesmo depois de beatificada, ainda poderia sofrer injustiças na terra. Um tempo se passou, e algo dentro de mim começou a ceder até que decidi fazer a novena das pétalas de rosa. Não tinha muita confiança que fosse receber a pétala e acredito que Santa Teresinha decidiu me amar da mesma forma que amou aquela irmã que a irritava no convento, e me deu a graça de ganhar a pétala de rosa após três dias que tinha finalizado a novena. O pedido que pedi começou a se desenrolar, e agora Teresinha está me ensinando a ser paciente e confiante. Após alguns meses, rezei novamente a novena e quando estava saindo da igreja que frequento me deparei com um vaso cheio de rosas e alguns dias depois a graça que pedi foi alcançada. 

Por fim, não tive escapatória e acabei me apaixonando por essa pequena santa. Teresinha, que até então não parecia ter nada em comum comigo, mostrou com a sua vida as respostas para as perguntas que durante muito tempo inquietaram o meu coração. Por exemplo, Teresinha nunca esperou pelas grandes obras e reconhecia que não tinha a vocação para ser uma santa com grandes feitos, por isso, através do trabalho cotidiano e ordinário amava a Deus com todo o seu coração e fazia isso constantemente. Meditando sobre isso percebi o quão bem esse tipo de entrega se encaixa nos dias de hoje, porque estamos sempre querendo alcançar as grandes metas para mostrarmos o quão bons podemos ser, e muitas vezes nos frustramos porque percebemos as nossas incapacidades, sendo assim, ao invés de vivermos angustiados com esta realidade podemos fazer como fez a grande doutora da Igreja: contentarmo-nos com o pouco que fazemos, perseverando no amor e buscando intensificar a cada dia a nossa entrega.

Enfim, o que queria mostrar através deste texto é que o Senhor conhece todas as nossas necessidades e sabe do que precisamos para melhorar, por isso, tenhamos confiança nEle e nos santos que Ele colocar em nosso destino. Lembrando sempre que: assim como nós queremos ser amigos destes santos, eles também querem ser nossos amigos, então entregue seu coração a este grande amigo que o Senhor te deu e dessa forma as palavras de Platão pouco a pouco se cumprirão: "Tomarás os mesmos modos daqueles com quem convives".

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